segunda-feira, 17 de junho de 2013

plano de aula : teorema de Tales

Estamos disponibilizando um plano de aula para o teorema de Tales, focando leitura/escrita, o uso de narrativas e de ferramentas tecnológicas. Ele é o resultado de discussões em nosso grupo, visando criar um material colaborativo. Ele reflete o ponto de vista comum aos membros do grupo. Esperamos que apreciem o nosso trabalho.



PLANO DE AULA

Título – Teorema de Tales


Objetivo - Que o aluno analise e resolva situações-problema envolvendo o Teorema de Tales


Justificativa – Que o aluno seja capaz de analisar e generalizar a determinação de medidas utilizando a proporcionalidade, na resolução de situações problema.


Duração –  de 5 a 7 aulas


Metodologia / desenvolvimento

Primeiro vamos dar um foco histórico da proporcionalidade via narrativa : a matemática grega antiga e a história de Tales de Mileto (em particular, o pedido recebido para medir a altura de uma pirâmide, e a solução dada por ele). Como tarefa que envolve leitura, vamos pedir uma pesquisa sobre a história da matemática na Grécia antiga.

Depois abrimos uma roda de conversa com a turma para averiguar os conhecimentos adquiridos anteriormente sobre o tema em questão, pois já é esperado que neste momento, os alunos já tenham um prévio conhecimento de proporções, equações de 1º grau, retas paralelas e retas transversais. Caso seja necessário, será retomado qualquer conteúdo. Vamos fazer uma revisão geométrica prática construindo feixes de retas paralelas e traçando retas transversais às mesmas (atividade individual).
Material optativo para reforço de aula, ao aluno sugerimos os seguintes vídeos encontrados no YOUTUBE :
                (1) aula de teorema de Tales (parte 1) :
                   http://www.youtube.com/watch?v=YZSgNn3ea-I
                (2) outra aula de teorema de Tales
                               http://www.youtube.com/watch?v=2Cfyv2-q-7I
Material optativo para familiarização com tecnologia : usaremos o programa gratuito GEOGEBRA (optativo para o professor, conforme o andamento da aula)
  
Logo em seguida, passamos à resolução de problemas, envolvendo o teorema. Trabalharemos vários exemplos de situações-problema. Utilizaremos como apoio o o caderno do aluno trabalha o teorema. Após esse trabalho, testaremos se os alunos identificam o teorema em situações diversas através de um debate usando mais algumas situações-problema (algumas envolvendo o teorema, outros não). Espera-se que os alunos questionem e apontem as retas paralelas e o Teorema de Tales. Caso isto não ocorra, a turma será induzida à resolução do problema através de razões e proporções até que cheguem ao resultado esperado. Se neste momento alguém apresentar alguma dificuldade sobre proporcionalidade ou resolução de equação do 1º grau, tais conteúdos serão retomados.

Pediremos aos alunos para que escrevam uma receita de como medir a altura de um prédio (é uma tarefa que envolve escrita).



Recursos Materiais e Tecnológicos
Papel Sulfite, Régua e Esquadro, Lápis e Borracha
Acesso à INTERNET, Uso de buscadores
Software GEOGEBRA (optativo para o professor, conforme o andamento da aula)


Avaliação – Questões práticas (situações-problema) que utilizem o teorema de Tales na sua resolução
A recuperação contínua será feita com questões práticas extras, semelhantes às dadas acima.
A recuperação paralela será feita usando algumas listas de exercícios :
(*) uma para praticar resolução de equações de 1º grau (somente para os alunos que ainda mostrarem dificuldade em equações, e com peso menor na nota, pois esse assunto não é nosso foco)
(*) outra para aplicação direta do teorema de Tales (exercícios técnicos)
(*) outra com aplicações práticas que utilizem o teorema de Tales

terça-feira, 11 de junho de 2013

obrigação x prazer

Em complementação a uma postagem sobre leitura obrigatória e leitura por prazer (de Neiva Maria Silva dos Santos)


Você não é a única pessoa que não gosta da leitura imposta. Eu também não gostava dos clássicos (com algumas exceções). Também aprendi a gostar de leitura literária somente depois de adulto.

fada madrinha

Em resposta a uma postagem que diz “Mais do que chamar a atenção, dos alunos com equipamentos tecnológicos, o professor deve preparar aulas que as tornem interessantes para eles”  (de Lucicleide Lavor Terto)


Uma ferramenta é apenas uma ferramenta. A mágica não está na varinha de condão - a mágica está na fada. Por que aluno gosta mais do equipamento do que de estudo ? Porque fascina (mesmo não sabendo utilizá-lo adequadamente, e sem um propósito considerado "útil" por nós - por "útil", leia-se "produtivo"). Isso se chama natureza humana. Um dia nós fizemos isso (e ainda fazemos).

domingo, 9 de junho de 2013

livro físico x multimidia

Em resposta a uma postagem que diz “Existem pesquisas que demonstram uma tendência na substituição dos livros físicos, como fonte de informação, pelos meios virtuais” (de Lucicleide Lavor Terto) 


Conversando com algumas pessoas, descobri que algumas sentem prazer e/ou necessidade de um livro físico, mesmo tendo acesso à leitura via mídia digital (como os e-books). Elas alegam que o prazer de folhear um livro com os dedos não tem substituto  - não é a mesma coisa que folhear escorregando o dedo na tela. Ou que elas não conseguem ler textos longos em um monitor. Acho que o livro físico não vai desaparecer; apenas vai diminuir a quantidade de impressões.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

obrigação x prazer (2)

em resposta a uma postagem que diz “... se fossem feitas pesquisas ... com relação a preferência de leitura aos alunos, seria possível chegarmos a um equilíbrio entre essa preferência e os livros que o Estado disponibiliza... Isso seria utopia demais?” (de Adriana Cristina Manfrenato)
Sua sugestão é bastante realista. Estou desconfiado que, se isso for levado a cabo, o Estado vai travar um tipo de batalha permanente por audiência, parecida com o que é feito na mídia. O mundo é movido a modismos : hoje se gosta, amanhã se quer outra novidade. Por isso acho que essa preferência não é fixa. Ainda bem que algumas preferências não mudam com o tempo (ex.: estórias). Vai ser uma luta dura botar essa idéia pra funcionar...

filosofia dos adultos

Em resposta a uma postagem que diz "o que vemos nos alunos é a falta de interesse, eles não sentem o gosto pelo aprender; daí muita gente fala de aulas e metodologias obsoletas, porém vejo colegas que estão sempre trazendo novidades para a sala de aula, ... e nem assim a maioria dos alunos se interessam" (de Adriana Cristina Manfrenato)
O que vou dizer agora vai contra o nosso discurso do FORUM : nós, adultos, damos o que nós achamos que o aluno deve aprender (que não necessariamente coincide com o que ele gosta); e insistimos que ele deve gostar daquilo que impomos; se ele gosta, ele é um "bom aluno"; e, se ele não gosta, ele é um desinteressado. Damos alguns exemplos de pessoas que gostam da leitura indicada, e isso é a referência a ser seguida.
Acho que seria mais honesto dizer : "Nós te obrigamos a ler. Leia !"
Isso pode parecer duro, mas é o que vejo acontecer.

Se o objetivo é o prazer da leitura, o aluno deve ler o que gosta. Se o objetivo é passar o que definimos como cultura geral, então a leitura deve ser obrigatória. Mas parece que misturamos os argumentos : o aluno deve fazer a leitura obrigatória, e ainda por cima deve ter prazer em ser obrigado a ler. Eu me sentia assim quando era estudante. Você pode comentar a respeito ?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

postagem de Gladys Aparecida Martins (13)

Em resposta a uma postagem da cursista Silvana :

Os alunos constroem o Tangram em grupos e com folhas coloridas e então eles trocam as peças para montá-los e nos recorte colam glitter, lantejoulas. Ficam trabalhos maravilhosos.

postagem de Gladys Aparecida Martins (12)

Em resposta a uma postagem da cursista Maria Julia :

 Eu acho que você deve continuar e insistir, pois você esta fazendo a sua parte de inspirá-los para a leitura e contribuir com o crescimento do vocabulário. Volte de vez em quando a trazer livros ou gibis, eles adoram. Com a minha turma do 6º ano, estou produzindo história em quadrinhos, abordando o diálogo envolvendo números. Impressionante alguns alunos, transmitem e escrevem bem, mas a maior parte tem muita dificuldade em se expressar e no uso do vocabulário. E só o hábito do gosto da leitura é que isso pode ser melhorado.

postagem de Gladys Aparecida Martins (11)

Em resposta a uma postagem do cursista David :
Concordo com você, a sala de professores da escola em muitos momentos se torna um lugar não de descanso, de diálogo com o colega e sim um confessionário. De vez em quando é bom um desabafo, mas o que está acontecendo é que está se tornando um hábito reclamar, as vezes é melhor parar, respirar fundo,  pensar e encontrar meios de mudar algumas situações. Pois todos nós temos aquela sala que só de olhar o horário, temos vontade de abonar o dia, mas temos que encontrar mecanismos, mudar alguns pontos de nossa aula, para podermos vencer desafios.  

postagem de Gladys Aparecida Martins (10)

Em resposta a uma postagem do cursista Carlos Vilário :

Concordo com suas palavras. Se eles simplesmente não lêem, por que a geração tem outros interesses, então como é que fica a escrita e a interpretação de nossos alunos? Com isso temos um holocausto não só em português, também nas outras disciplinas, mas principalmente em matemática. 

postagem de Gladys Aparecida Martins (9)

Eles (os alunos) muitas vezes colocam o livro de lado, dentro do lixo, sem apenas folheá-lo para realmente sentir se não há nehum interesse. Desistem dele, do seu conteúdo, sem dar uma chance a ele de pertencer ao seu mundo.

postagem de Gladys Aparecida Martins (8)

Os vestibulares que muitos de nossos alunos vão enfrentar, infelizmente fazem com que eles muitas vezes tenham que ler e estudar muitos conteúdos que não gostem e que depois de passar a fase vão esquecer. Não tem como simplesmente sumir com o material que os alunos não apreciem, ou que eles tenham interesses diferentes.

postagem de Gladys Aparecida Martins (7)

Meu pai me mostrou a única riqueza que ele tinha : o valor pela escola

postagem de Gladys Aparecida Martins (6)

Eu insisto tanto que meus alunos já acabam traduzindo a minha fala na sala de aula, principalmente no ensino médio, sobre a questão da profissão, da construção da família.

Digo sempre que só o conhecimento é capaz de transformar o homem, a comunidade e o mundo para uma vida melhor. 

postagem de Gladys Aparecida Martins (5)

Também fiz parte e da cartilha "Caminho Suave" e nem por isso fiquei traumatizada. Minha mãe não tinha tempo para tomar os deveres (muitos filhos) mas sempre perguntava sobre o dia na escola e sobre os deveres. Eu os fazia e passava para ela. Eu sempre asorei estudar. Também tenho saudades!

postagem de Gladys Aparecida Martins (4)

Alguns alunos na escola que eu trabalhava no ano passado, os livros que eles ganhavam para ler ora eles ou os doavam para os poucos que queriam ou davam um jeito de vendê-los.

postagem de Gladys Aparecida Martins (3)

Tenho o costume de propor aos alunos que leiam, em voz alta para a classe, o conteúdo do assunto ou dos exercícios, para discussão e aprendizado. Isso tanto do livro didático, como das situações de aprendizagem do caderno do aluno.
O ensino médio é mais difícil eu conseguir, algum aluno para ler e muitas vezes acaba eu mesma prosseguindo na leitura.
No ensino fundamental, que eu só possuo um 6º ano, eles acostumaram tanto, que eles mesmo se propõe a ler. Inclusive alguns alunos já melhoraram muito na leitura.

postagem de Gladys Aparecida Martins (2)

Também fico impressionada com a riqueza dos conteúdos dos livros que são colocados à disposição de nossos alunos e muitos deles não tem interesse nem em folheá-los para ver o que as páginas lhes apresentam.

postagem de Gladys Aparecida Martins (1)

O meu gosto pela leitura e escrita vem antes de iniciar o processo na escola. Meu pai trabalhava em uma escola pública (agente de serviços gerais ou seja servente) e  ele vivia sempre nos ensinando a valorizar os livros, incentivando-nos a estudar. Minha irmã mais velha iniciou como professora primária na mesma escola em que meu pai trabalhava e isso era na época uma honra para o meu pai e toda a família. Então o nosso contato, grupo de amigos de meu pai que frequentava a nossa casa eram só pessoas vinculadas a escola. A conversa que eu e meus irmãos presenciavam como ouvintes desde muito pequenos, antes mesmo de entrarmos para o caminho escolar, era o mundo dos livros, a importância do conhecimento e apesar de passarmos muitas dificuldades, pois meu pai era o chefe da casa e minha mãe cuidava de seus dez filhos, somente no lar, ele sempre enfocava o valor supremo dos livros.

postagem de Flávia Cristina Franco de Lima (2)

Não consigo me lembrar exatamente qual foi o primeiro livro que li, acredito que tenha sido "A menina que o vento levou", mas de uma coisa tenha certeza:  A sensação de satisfação, de alegria, foi inexplicável. A partir daí, não sei o que "viver ser um livro". Costumo ficar encantada quando entro numa livraria, e não consigo comprar apenas um, levou logo dois, três, quatro... Quando tiro alguns dias de férias e vou viajar, tenho que levar pelo menos dois livros, com medo de terminar um e não ter o que ler...

Costumo também, comprar as coleções que estão na mídia. Levo para a escola e empresto para os alunos que se interessam em fazer a leitura dos mesmos. Acredito que assim, esteja contribuindo, por mais que seja mínimo, no desenvolvimento da competência leitora/escritora de meus alunos.

postagem de Flávia Cristina Franco de Lima (1)

A família é parte fundamental no desenvolvimento da competência leitora, mas acredito que a importância dada a leitura é particular de cada um, pois no meu caso, meus pais cursaram até a 2ª série e nunca me motivaram a leitura, no entanto, isso não me impedia de passar quase todos os dias na biblioteca municipal para emprestar novos livros, quando ia para a escola. Sei que tive mais oportunidades do que alguns, porém nossos alunos contam com os livros disponíveis na escola, na biblioteca, na internet, além do kit que recebem e mesmo assim grande parte deles não fazem a leitura dos mesmos.

postagem de Daniel Martinho Nascimento (4)

Temos que mostrar ao aluno que ele pode ler em casa algo sobre o que ele mais gosta, não necessariamente sobre a disciplina que ministramos com eles.

postagem de Daniel Martinho Nascimento (3)

Essa atividade de fazer os alunos lerem o livro didático em sala de aula em voz alta aprimora a leitura deles e faz com que nós notemos aqueles que tem dificuldade em ler. Com essa percepção clara e transparente, temos mais visão do material humano que estamos trabalhando e a possibilidade de realizar algo a mais para a formação dos nossos alunos.

postagem de Daniel Martinho Nascimento (2)

O interesse sobre leitura vem de cada um de nós, independente da facilidade que temos em acesso a obtenção de livros. Com a existência da internet e a falta de cobrança por resultados em escolas públicas os jovens atuais não percebem que ler pode engrandecê-los em conhecimento e cultura. A família faz papel fundamental na criação e formação de uma criança e como hoje temos muitas famílias onde os pais são separados ou não dão a devida atenção aos filhos, a criança cresce sem toda a orientação devida , desconsiderando a falta de carinho que alguns recebem de seus responsáveis legais. Com isso a leitura nem passa pela mente de muitos em se tornar um hábito sadio e prazeirozo.

postagem de Daniel Martinho Nascimento (1)

Realmente a facilidade que hoje os alunos tem para leitura é imensa comparada a nossa época de formação do ensino fundamental e médio. Apesar dessa facilidade , percebo que a minoria dos alunos tem interesse por leitura, então é importante que os professores incentivem e adotem a prática aos alunos de leitura .

postagem de Cleide Andreo Bastos (1)

Na minha juventude passava as férias no sítio e o que mais me distraia era a leitura. Ficava imaginando os personagens, os lugares, as aventuras e me envolvia na história, e nos personagens. Hoje em dia, são poucos alunos que tem o hábito de leitura e isso prejudica muito o seu desenvolvimento principalmente da escrita.

sugestão de SITE de leitura

achei um SITE do governo que lida com obras de domínio público

o endereço é "http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp"

sugestão de leitura

A Publifolha destaca o Manual de Redação, uma publicação que pode ajudar os interessados em melhorar suas habilidades de escrita. Não conheço o livro, mas ele é famoso.

O LINK de apresentação do livro é : "http://publifolha.folha.com.br/catalogo/livros/135489/"

novos tempos

Em resposta a uma postagem que diz “... gostávamos da cartilha (Caminho Suave), que hoje é tão criticada por muitos. ...os tempos são outros, outra geração, que já nasce com um celular nas mãos, porém essa geração não mostra o gosto pelo aprender que víamos em outras épocas” (de Adriana Cristina Manfrenato)

Os tempos são outros - é adaptar ou se extinguir. Nossos tataravós podem ter afirmado que gostavam de escrever com pena de ganso; que aprenderam a escrever com pena e tinta de polvo; que todos deveríamos fazer o mesmo porque, se foi bom para eles, vai ser bom pra nós também; que têm lembranças boas dessa época... Só que os descendentes nasceram na geração da caneta esferográfica, mais prática. Os descendentes mais recentes nasceram na geração do teclado de computador, teclado virtual, comando de voz, e Deus sabe lá o que virá em seguida. Adaptação às novas condições é a chave para a sobrevivência.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

concentração

Em resposta à frase “não consigo lembrar de nada” (de Magda Barbosa)

Dica de qualquer estudante aplicado : fixe somente as idéias principais (ou, de forma equivalente : "qual era o assunto mesmo ?"; "em resumo, o que foi dito ?")

a parte de cada um

Em resposta à uma postagem referente a uma atividade de estímulo à leitura “...Porém me deparei com alunos que olhavam, folhavam e paravam por ai. ... É frustrante” (de Maria Júlia Prado Froes) 
Não se sinta só quando você está frustrada. Todos nós ouvimos comentários na sala dos professores, e em boa parte das vezes são reclamações. Pense que sua função é oferecer, mas cabe ao aluno escolher se aceita ou não. Alguns ainda não estão preparados para fazer boas escolhas. Nós também passamos por isso. Cada coisa ao seu tempo : ofereça apoio e encoste a cabecinha no travesseiro ao final do dia sabendo que você fez sua parte.

Além disso, reclamação não faz um mundo melhor; apenas cria úlcera.

ajudar não ajudando

Aprendi que conselhos costumam entrar por um ouvido e sair pelo outro; que a melhor escola do mundo é a escola da vida; que a melhor lição é a lição profunda, aquela que dói muito ou que dá muita alegria. Os alunos são inexperientes. O melhor que podemos fazer por eles é deixar que aprendam por si mesmos, no sentido de andar com suas próprias pernas e aprender com os próprios acertos e erros. Se toda vez que seu filho cair, você levantá-lo, ele nunca vai aprender a se levantar sozinho. Não podemos viver as experiências por eles, mas podemos acompanhá-los de perto.

comentando um depoimento

Comentário meu sobre um depoimento de estímulo ao estudo da família (de Gladys Aparecida Martins)

a experiência é pessoal; ninguém consegue tirá-la de você

cobrança

Os alunos ainda não entenderam que o futuro deles depende de um mínimo de estudo. Antes de me tornar professor, quando eu me candidatava a uma vaga na área técnica de alguma empresa, eu tinha fazer um teste geral, um teste técnico, uma redação e passava por uma entrevista geral e outra técnica. Qualquer escorregão que eu desse num desses testes, eu era reprovado. Eu TINHA que saber falar, eu TINHA que saber escrever, eu TINHA que saber interpretar, eu TINHA que conhecer meu trabalho. Eu estudei muito para conseguir uma vaga. Obrigatoriamente tinha que fazer apresentações, ler e escrever e-mails corporativos, ler manuais e circulares etc... Usei muito do que aprendi na escola. Estudar é importante!

interesse em aprender

Os alunos não passaram pelo processo de construção do conhecimento. Ele vem pronto, não se sabe de onde veio, nem para onde vai (estou pensando como aluno). Em contrapartida, nós exigimos que os alunos simplesmente assimilem o material disponível, e ainda por cima queremos que eles sejam críticos e criativos (só falta exigir que eles se tornem semi-deuses). Tratamos crianças e adolescentes como adultos em miniatura. Mesmo nós, professores, não passamos pela árdua tarefa de depurar o conhecimento até o seu estágio final - isso é trabalho dos pesquisadores. Por isso, acho complicado cobrar interesse de todos os alunos (alguns certamente mostrarão interesse). Também acho estranha a idéia de que cobramos que os alunos devam se interessar por todos os tópicos de todas as disciplinas. Mesmo nós, adultos, não fazemos isso ! Acredito que cada ser humano tem interesses diferentes (e, em muitos casos, conflitantes). Os interesses dos adolescentes não são os mesmos que os nossos.


Em resposta a uma observação sobre a postagem acima, referente a vestibulandos : “... Não tem como simplesmente sumir com o material que os alunos não apreciem, ou que eles tenham interesses diferentes” (de Gladys Aparecida Martins)

Você tem razão. Por isso, em uma das minhas respostas, eu comentei que uma de nossas funções é (indiretamente) treinar o aluno para o ambiente de trabalho. O trabalhador tem que defender o seu emprego, quer ele seja estimulante ou não. Tarefas e prazos devem ser cumpridos, ou somos despedidos. Quando eu disse que acho complicado cobrar interesse do aluno, eu estava me referindo ao gosto pelo assunto e ao prazer de aprender, e não à necessidade de lutar por um lugar ao sol. Eu não fui muito claro, e peço desculpas.

livros

Nós somos apreciadores de livros. Nossa formação foi feita com livros (e também contato com alguns bons professores). Sentimos um aperto no coração quando vemos um livro sendo desperdiçado. Contudo, os assuntos pelos quais o aluno se interessa não é necessariamente o material que a sociedade estipulou como material obrigatório (Sim ! Somos obrigados a ler, faz parte do currículo escolar, e "vai cair na prova"). O que podemos fazer de construtivo é mostrar que livros têm suas qualidades; e que, em algum momento, o aluno pode escolher os textos que quer ler.

cabo de força

Sei de alunos que vão à biblioteca da escola de livre e espontânea vontade, e eles mesmos escolhem os livros. Alguns chegam a levar vários para casa. Pena que eles são exceção. Sei disso porque eu eventualmente dou uma olhada na pilha de redações que os professores de português corrigem. Eu me espanto com duas coisas : em primeiro lugar, a baixa qualidade da redação da maioria (as exceções escrevem maravilhosamente bem); em segundo lugar, as habilidades que o governo espera dos alunos - praticamente exige-se que o aluno seja perfeito. Na minha cabeça, isso soa como um cabo de força, com os alunos de um lado, e o governo do outro. Será que não dá para achar um ponto de equilíbrio ?

Imagino que os professores de disciplinas que exigem atualização constante (como História e Geografia) devam ler com frequência. Eu tenho lido basicamente livros e artigos da nossa área (a título de aperfeiçoamento pessoal, e porque me interesso), em detrimento da leitura geral. Mas não me encaixo no perfil de NERD - saio com os amigos, curto assuntos variados com eles, e evito assuntos técnicos durante encontros sociais. Enfim, não deixo de ser humano.

estimular ou obrigar ?

Acredito que estimular os alunos é apenas uma das ferramentas que devemos usar. Porém nem tudo deve ser estímulo. Uma das funções da escola é preparar o aluno para o trabalho. Não trabalhamos porque o serviço é estimulante (pelo menos em boa parte). Trabalhamos porque estamos defendendo um emprego. Acho que o equilíbrio entre dever e diversão (como fazem alguns professores de cursinho) é a escolha sensata, e nos deixa mais preparados para a vida. Brincamos e, ao mesmo tempo, somos responsáveis.

Em resposta à pergunta “Como é possível estimular este menino ou menina sem querer transormá-los em adultos precoces? O que é possíve fazer para a aula de matemática ser mais agradável ?” após observar que o comentário acima serve para alunos mais velhos, mas alunos pré-adolescentes têm outro perfil (de Susi Passarete Cardoso, nossa tutora no curso)

Entendi sua colocação, e concordo com você. Realmente, pré-adolescentes e pré-adultos são diferentes. Infelizmente o sistema educacional trata os dois da mesma forma : cobramos prazos, responsabilidades, e exigimos que sejam cumpridos (ai, ai... tô começando a ficar com saudades da minha primeira infância...). Acho que podemos tornar a aula mais prazeirosa se o currículo pudesse ser reestruturado, de forma que a intuição fosse priorizada na infância e pré-adolescência. Matemática poderia se tornar um momento de brincar, de charadas e adivinhações, ao invés de uma matéria a ser cumprida, com avaliações e notas. Na prática, queremos incentivar o aluno com histórias de Monteiro Lobato, Yakov Perelman, Malba Tahan e outros; mas, no final, cobramos currículo. Na minha cabeça, isso soa como uma contradição. Será que podemos ser menos formais com os pequenos ? (a cobrança a que me referi nas outras postagens é para os mais velhos)

linguagem e aprendizagem

Leitura e escrita são, no sentido convencional, essenciais para aprendizagem, mas não são as únicas. Nossa sociedade ainda não valoriza a linguagem corporal. Quantos de nós sabemos comunicar com o corpo, seja com um movimento, seja com uma expressão facial ? Nós não aprendemos isso.

boa forma de aprender

Acho que essa é a melhor forma de aprender : correr atrás do que interessa, por conta própria. Eu mesmo fiz isso quando era criança (e ainda faço isso). Não gostava de fazer trabalhos só porque o professor mandava - eu cumpria tarefas porque era obrigado. Mas quando o assunto me interessava, eu caprichava no trabalho.

estímulo x desestímulo

Quando eu estava na 6a ou 7a série, meu professor de português nos indicou o livro "Iracema". Foi uma revolta geral na sala. A leitura era muito pesada para nós, na época. Ele substituiu por um livro infanto-juvenil, fácil de ler, que caiu no nosso gosto. Adoramos! Um outro professor meu nos pediu para ler um trecho de "Os Lusíadas". Até hoje tenho cicatrizes mal saradas dessa leitura.


Moral da história : Podemos ser estimulados ou desestimulados - tudo depende de como lidamos com a situação. Acho que nossos alunos passam pelos mesmos problemas.

procurando o porque

Em resposta à pergunta “Hoje em dia a maioria dos alunos não se envolvem com a leitura, é o nosso desafio despertar neles essa vontade e desejo de crescer a prender através das páginas de um bom livro, como podemos fazer isso?” (de Juliana Débora da Silva)
Acho que, para responder essa pergunta, não podemos nos limitar aos "bons" depoimentos, como os desse forum - já sabemos o que nos estimula. Para sabermos o que desestimula os alunos, que tal levantar as más experiências dos mesmos ? É uma forma de detectar onde está o problema.


nota : Precisamos levar em consideração que partimos do pressuposto que TODOS deveriam ter amor à leitura e escrita. Se eu fosse professor de educação física, acho que eu partiria do pressuposto que TODOS tem que gostar de atividades físicas, e daria meu "bom depoimento", além de citar depoimentos favoráveis de colegas de área. Se eu fosse professor de música, ou músico, também acharia que todos têm que aprender música. Esses pressupostos ferem o direito de gosto ou inclinação individual. Todos precisam aprender a ler e escrever - é uma questão de sobrevivência na nossa sociedade. Mas acho que não devemos obrigar todos os alunos a apreciar a leitura e escrita. Precisamos, sim, oferecer a oportunidade de acesso aos mesmos, e estimulá-los conforme eles mostram interesse natural pelo assunto.

bom leitor x bom escritor

Em Resposta à pergunta “Um bom leitor é sempre um bom escritor ?” (de Juliana Débora da Silva)

Escrever se aprende escrevendo (e muito !). A princípio, leitura precede a escrita. Eu, pelo menos, não conheço nenhum caso de alguém que tenha feito o caminho inverso. Se esse alguém existe, gostaria de saber como ele faz isso.

didática

Uma vez analisei um livro de matemática de ensino fundamental. O que eu vi : desenhos de um professor e de alunos, ambos sorrindo, os alunos fazendo uma pergunta técnica, e o professor respondendo com uma citação técnica (ex.: o teorema de pitágoras). Essa noção de "didática" não é lá muito estimulante... É uma situação irreal ! Acho que detectamos um problema de ensino : o conceito de "didático".

minha experiência de leitura e escrita

Não lembro quando comecei a ler ou escrever. Quando me dei conta, já estava usando os olhos e o lápis. Cometi algumas barbaridades enquanto aprendia. Morro de vergonha de pensar que minhas professoras e professores liam os textos que eu escrevia. Hoje escrevo razoavelmente – considero-me uma pessoa com habilidades adequadas de leitura e escrita. Adorava fuçar bibliotecas à procura de enciclopédias, pois elas eram uma porta aberta ao conhecimento geral.
Um dos meus momentos mais marcantes no quesito leitura foi quando descobri como ler textos técnicos de matemática. Isso abriu um mundo novo para mim, acessível a poucos. Eu conseguia compreender o que estava escrito, não me pergunte como - tudo que me lembro é que eu insisti muito. Outro momento marcante foi quando eu aprendi que alguns textos carregam sentimentos (como por exemplo as criações de Vinícius de Moraes).
No quesito escrita, tive uma descoberta fantástica : foi quando eu mandava mensagens para amigos e colegas de serviço, referentes a aniversários, eventos, ou mesmo um bate-papo convencional. Como eu não tinha obrigação de ser formal (como nos e-mails corporativos que eu tinha que ler e responder), minha mente começava a viajar e eu começava a escrever o que me dava na cabeça. Eu lia o que tinha acabado de escrever e quase não acreditava no que eu tinha escrito : descobri o dom da criatividade escrita.


Em resposta à pergunta “Você já trabalhou esse seu dom durante suas aulas de Matemática? ” referente à postagem acima (de Juliana Débora da Silva)
Nunca pensei em aplicar em aula. No entanto, eu faço textos para consumo próprio. Eu gosto de estudar a resolução de questões difíceis (ex.: OBMEP) e reescreve-las para torná-las mais claras (para mim); escrevo como se estivesse explicando para alguém. É melhor do que aquelas demonstrações secas dos livros. Isso se tornou um tipo de projeto pessoal, que curto muuuito!...


Em resposta à pergunta “que tal utilizar esta prática de ‘estudar as resoluções como se estivesse explicando para alguém’ com seus alunos ? Experimente pedir que reescrevam como se estivessem ensinando”, referente à resposta acima (de Susi Passareti Cardoso, nossa tutora do curso)
Na verdade, eu explico aos meus alunos como se eu estivesse explicando para uma criança de 6 anos (mesmo que meus alunos estejam no ensino médio !). Já fui acusado de dar uma aula muito infantil (ex.: em vez de dizer que "o binômio tem 2 parcelas", digo "essas duas coisinhas aqui"). Eu sei que estou sendo pouco preciso na comunicação; os puristas me crucificariam, e ainda por cima cuspiriam nas minhas chagas; mas eu sou 100% compreendido pelo aluno. Se isso não é didática, eu não sei o que é. (moral da história : de que adianta ser 100% exato, se sou 0% compreendido ?). Obviamente que, em algum momento, cito termos técnicos - é minha obrigação como professor.
Quanto a pedir para que os alunos escrevam, isso dá bastante pano pra manga. Pedir para que todos produzam um texto adequado agora é como pedir para a mãe-natureza estender o dia para 48 horas para que eu dê conta de todas as minhas tarefas. Se eu começar agora, os frutos serão colhidos só depois de alguns anos (se houver continuidade dos próximos professores). Isso porque a habilidade escritora leva bastante tempo para desenvolver (levando em consideração que não estou trabalhando individualmente os alunos - a aula é coletiva). Eu mesmo levei muito tempo para aprender a escrever decentemente. A natureza trabalha nessa velocidade, por isso quero estipular essa tarefa os pés no chão, sempre visando resultados realistas e duradouros. Lição de vida : viva um dia de cada vez.

Apresentação das postagens

Os depoimentos que se seguem são fruto de diálogos de nossos colaboradores com os outros cursistas, tendo como tema leitura e escrita. Cada um conta sua história, as dificuldades que passou, os bons momentos vividos, alegrias e frustrações. Também temos questionamentos, sugestões, concordância e/ou divergência de opiniões. Esperamos que vocês apreciem o conteúdo que construimos com tanta dedicação.

apresentação pessoal

Meu nome é David. Fui profissional de informática por anos, até que decidi mudar de área : voltei para a faculdade, estudei de novo, e hoje sou professor de matemática da rede pública. ADORO MATEMÁTICA – é uma das minhas paixões. Gosto muito de leitura (principalmente filosofia de vida), de dança, de curtir os amigos, de conversar, e das coisas simples da vida.