Os alunos não passaram
pelo processo de construção do conhecimento. Ele vem pronto, não se sabe de
onde veio, nem para onde vai (estou pensando como aluno). Em contrapartida, nós
exigimos que os alunos simplesmente assimilem o material disponível, e ainda
por cima queremos que eles sejam críticos e criativos (só falta exigir que eles
se tornem semi-deuses). Tratamos crianças e adolescentes como adultos em
miniatura. Mesmo nós, professores, não passamos pela árdua tarefa de
depurar o conhecimento até o seu estágio final - isso é trabalho dos
pesquisadores. Por isso, acho complicado cobrar interesse de todos os alunos (alguns certamente
mostrarão interesse). Também acho estranha a idéia de que cobramos que os
alunos devam se interessar por todos os tópicos de todas as disciplinas. Mesmo
nós, adultos, não fazemos isso ! Acredito que cada ser humano tem interesses
diferentes (e, em muitos casos, conflitantes). Os interesses dos adolescentes
não são os mesmos que os nossos.
Em resposta a uma
observação sobre a postagem acima, referente a vestibulandos : “... Não tem
como simplesmente sumir com o material que os alunos não apreciem, ou que eles
tenham interesses diferentes” (de Gladys Aparecida Martins)
Você tem razão. Por
isso, em uma das minhas respostas, eu comentei que uma de nossas funções é
(indiretamente) treinar o aluno para o ambiente de trabalho. O trabalhador tem
que defender o seu emprego, quer ele seja estimulante ou não. Tarefas e prazos
devem ser cumpridos, ou somos despedidos. Quando eu disse que acho complicado
cobrar interesse do aluno, eu estava
me referindo ao gosto pelo assunto e ao prazer de aprender, e não à necessidade
de lutar por um lugar ao sol. Eu não
fui muito claro, e peço desculpas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário