quarta-feira, 5 de junho de 2013

minha experiência de leitura e escrita

Não lembro quando comecei a ler ou escrever. Quando me dei conta, já estava usando os olhos e o lápis. Cometi algumas barbaridades enquanto aprendia. Morro de vergonha de pensar que minhas professoras e professores liam os textos que eu escrevia. Hoje escrevo razoavelmente – considero-me uma pessoa com habilidades adequadas de leitura e escrita. Adorava fuçar bibliotecas à procura de enciclopédias, pois elas eram uma porta aberta ao conhecimento geral.
Um dos meus momentos mais marcantes no quesito leitura foi quando descobri como ler textos técnicos de matemática. Isso abriu um mundo novo para mim, acessível a poucos. Eu conseguia compreender o que estava escrito, não me pergunte como - tudo que me lembro é que eu insisti muito. Outro momento marcante foi quando eu aprendi que alguns textos carregam sentimentos (como por exemplo as criações de Vinícius de Moraes).
No quesito escrita, tive uma descoberta fantástica : foi quando eu mandava mensagens para amigos e colegas de serviço, referentes a aniversários, eventos, ou mesmo um bate-papo convencional. Como eu não tinha obrigação de ser formal (como nos e-mails corporativos que eu tinha que ler e responder), minha mente começava a viajar e eu começava a escrever o que me dava na cabeça. Eu lia o que tinha acabado de escrever e quase não acreditava no que eu tinha escrito : descobri o dom da criatividade escrita.


Em resposta à pergunta “Você já trabalhou esse seu dom durante suas aulas de Matemática? ” referente à postagem acima (de Juliana Débora da Silva)
Nunca pensei em aplicar em aula. No entanto, eu faço textos para consumo próprio. Eu gosto de estudar a resolução de questões difíceis (ex.: OBMEP) e reescreve-las para torná-las mais claras (para mim); escrevo como se estivesse explicando para alguém. É melhor do que aquelas demonstrações secas dos livros. Isso se tornou um tipo de projeto pessoal, que curto muuuito!...


Em resposta à pergunta “que tal utilizar esta prática de ‘estudar as resoluções como se estivesse explicando para alguém’ com seus alunos ? Experimente pedir que reescrevam como se estivessem ensinando”, referente à resposta acima (de Susi Passareti Cardoso, nossa tutora do curso)
Na verdade, eu explico aos meus alunos como se eu estivesse explicando para uma criança de 6 anos (mesmo que meus alunos estejam no ensino médio !). Já fui acusado de dar uma aula muito infantil (ex.: em vez de dizer que "o binômio tem 2 parcelas", digo "essas duas coisinhas aqui"). Eu sei que estou sendo pouco preciso na comunicação; os puristas me crucificariam, e ainda por cima cuspiriam nas minhas chagas; mas eu sou 100% compreendido pelo aluno. Se isso não é didática, eu não sei o que é. (moral da história : de que adianta ser 100% exato, se sou 0% compreendido ?). Obviamente que, em algum momento, cito termos técnicos - é minha obrigação como professor.
Quanto a pedir para que os alunos escrevam, isso dá bastante pano pra manga. Pedir para que todos produzam um texto adequado agora é como pedir para a mãe-natureza estender o dia para 48 horas para que eu dê conta de todas as minhas tarefas. Se eu começar agora, os frutos serão colhidos só depois de alguns anos (se houver continuidade dos próximos professores). Isso porque a habilidade escritora leva bastante tempo para desenvolver (levando em consideração que não estou trabalhando individualmente os alunos - a aula é coletiva). Eu mesmo levei muito tempo para aprender a escrever decentemente. A natureza trabalha nessa velocidade, por isso quero estipular essa tarefa os pés no chão, sempre visando resultados realistas e duradouros. Lição de vida : viva um dia de cada vez.

Um comentário:

  1. O meu gosto pela leitura e escrita vem antes de iniciar o processo na escola. Meu pai trabalhava em uma escola pública (agente de serviços gerais ou seja servente) e ele vivia sempre nos ensinando a valorizar os livros, incentivando-nos a estudar. Minha irmã mais velha iniciou como professora primária na mesma escola em que meu pai trabalhava e isso era na época uma honra para o meu pai e toda a família. Então o nosso contato, grupo de amigos de meu pai que frequentava a nossa casa eram só pessoas vinculadas a escola. A conversa que eu e meus irmãos presenciavam como ouvintes desde muito pequenos, antes mesmo de entrarmos para o caminho escolar, era o mundo dos livros, a importância do conhecimento e apesar de passarmos muitas dificuldades, pois meu pai era o chefe da casa e minha mãe cuidava de seus dez filhos, somente no lar, ele sempre enfocava o valor supremo dos livros.

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